A ascensão do Pathfinder RPG
Desde o seu anúncio e a disponibilização gratuita de suas versões Alfa e Beta para playtests abertos com jogadores do mundo todo, o Pathfinder Roleplaying Game mostrava que vinha para “abocanhar” uma parte significativa do mercado mundial de RPG, conquistando os jogadores que não migraram para a nova edição de Dungeons & Dragons.
Alguns indicadores dos últimos meses, contudo, têm mostrado que ele não apenas está ficando com uma parcela considerável dos jogadores que não migraram para a 4ª Edição de D&D, como também está assumindo o segundo lugar como o RPG mais vendido e jogado no mercado de lÃngua inglesa e, provavelmente, no mundo.
As duas listas mais recentes de RPGs mais vendidos feitas pelo ICv2 (Internal Correspondence), site especializado em notÃcias e informações para lojas de produtos da cultura pop, mostram o Pathfinder RPG em segundo lugar nos dois primeiros trimestres deste ano (cada lista mostras as vendas de um trimestre) como a linha de RPG mais vendida, atrás apenas do lÃder do mercado, o D&D.
Recentemente em seu blog, a loja californiana Black Diamond Games postou um artigo mostrando a evolução e o crescimento das vendas dos livros do Pathfinder em relação aos três Livros do Jogador de D&D, superando os produtos do Wizards of the Coast na razão de 2 por 1, embora ambos sejam best-sellers. Um dado positivo geral no gráfico é o aumento das vendas dos livros, conforme os EUA foram superando a recessão econômica.
Outro dado significativo fornecido pela loja, foi que a campanha organizada Pathfinder Society – uma versão Pathfinder das Campanhas Vivas (Living Campaign) de D&D – que também acontece em seu estabelecimento, aumentou de uma mesa a cada quinze dias para três mesas semanais.
Além disso, amostragens anteriores publicadas no EN World já indicavam o Pathfinder como um dos cinco RPGs mais vendidos nos EUA, antes mesmo de completar um ano do lançamento de sua versão definitiva em capa dura.
Sem dúvida, um dos principais senão o principal motivo do sucesso do Pathfinder é a sua estratégia para o mercado e para os seus produtos, além da evidente alta qualidade deles. Playtests abertos e muitos downloads gratuitos de material de jogo atraem a simpatia dos fãs que se sentiram traÃdos pela Wizards of the Coast. Os playtests abertos fazem com que eles se sintam co-desenvolvedores do Pathfinder.
Além disso, o foco da linha é o Mestre de Jogo: a imensa maioria dos produtos é direcionada aos Mestres. Assim, os jogadores até agora tiveram que necessariamente comprar apenas UM produto por ano: no ano passado foi o livrão básico e este ano será o Advanced Player’s Guide. Bem diferente dos trocentos suplementos de D&D para jogadores.
Dentre os muitos motivos que levaram a Wizards (leia-se Hasbro) a lançar a 4ª Edição de Dungeons & Dragons, havia certo temor em relação à marca D&D, de que ela estava sendo “engolida” pelo antigo selo d20. Eles acharam que com o novo D&D e o fim da Licença d20 e o seu selo (não confundir com a Licença OGL, que não pode ser cancelada), a marca manteria sua supremacia (e qualidade) em segurança, sem ser ameaçada pelos trocentos produtos d20 – muitos de qualidade questionável.
Mas o tiro pode ter saÃdo pela culatra e, na ânsia de controlar mais o mercado, acabou criando na prática um grande rival, uma ameaça muito maior e real a sua supremacia do que as dezenas empresas d20 que antes haviam.
Ao abandonar o antigo sistema, ao invés de extingui-lo, na verdade o entregou de vez para que outros o assumissem e desenvolvessem. E assim temos agora “D&D vs. D&D”, ou simplesmente, D&D vs. Pathfinder.
Somente o futuro mostrará se a Wizards acertou ou errou em suas decisões, e se o Pathfinder é apenas uma tendência momentânea ou se veio para definitivamente ameaçar o reinado do D&D.
Por Marcelo Telles
Equipe REDERPG










