Olá galera. Devido ao pessoal ter gostado do Steampampa, ou ao menos do começo dele, o Vinicius me pediu para postar outro capítulo hoje, o segundo, como um bônus. No sábado então será postado o terceiro capítulo. Sem mais demoras, vamos ao que interenssa.

Capítulo 2 – Bota contra, filho da puta!

Dava quase seis meses dês do inicio do Armagedão. Perdi minha china veia e meu guri numa tacada. Não sei bem como, meu braço esquerdo ficou pra traz. Nesses tempos, os Ispiuberg correram a maior zona por aqui. Eu não sei como eles fazem, mas cada bicho que eles pegam, voltam com uns pedaço de maquina. Cada pessoa que eles pegam, volta querendo dar dentada em todo mundo. E quem toma mordido, ao contrario do que tu pensa, não fica querendo morder os outros.

Enfim, nesse tempo, me ajuntei com um bando de bagual e nos embrenhamos nos pampas e tentamos sobreviver como dava. O problema é que cada vez que a nos se pechava com os Ispiuberg (Ta todo mundo chamando eles assim!) caia uns dois ou três camarada. E eu, esse tempo todo de inútil, maneta, me jogando que nem cusco velho que sabe que vai morrer pra cima dos inimigos. Mas isso ia mudar jaja, espera só pra ver.

Era uma manhã de serração brava, daquelas que a geada se faz violenta e o minuano não perdoa. A peãozada toda de acavalo, éramos seis naquele dia. Eu, mais três taura feio e duas prenda linda. Eu, que tava troteando devagarito senti o chão começar a tremer. Mas foi o Agenor, que era mais moço e ia mais na frente, foi quem viu a merda se aproximar. E de pronto cravou o grito:
-Merda vindo! Das graúda!

No que eu olho, vejo um puta dum negocio, parecendo um tanque de guerra, todo de ferro, cheio de espinho com seus seis metros de idade vindo do meio da geada. Soltei um palavrão bem feio e puxei o três-listra, que eu tinha batizado de Mata-Cinza. No inicio, eu ate me desequilibrava de ficar com o Mata-Cinza na mão de acavalo, mas com o tempo veio o costume e ai eu já gineteava que era uma beleza. Toquei o Jacu (meu cavalo crioulo, nego veio de guerra, já querendo aposentar as ferraduras) de contorno, querendo era derramar sangue daquela imundícia. A peãozada ficou louca de raiva de mim, berrando que eu ia me matar, mas eu fui mesmo assim, bem loco pra cima da bodega gigante. Eu era um velho de seus 45 anos, sem um braço, sem a chinoca e sem o bacuri pra ficar no meu lugar. Em outras palavras, um peso morto que só queria matar o máximo deles antes de me ajuntar com eles la d’outro lado.

E me fui, bem doido pra cima daquele troço. Me fui, fui, fui e fui-me ao chão, quando por pouco um raio não me atinge, mas pega o Jacu no meio das patas. Me levantei, louco de raiva com o Mata-Cinza na mão e corri. E meio que sem querer, ia me desviando. O raio vem por cima, eu me abaixo. Se vem por baixo eu pulo. Se vem de meio eu vou pra qualquer lado. E ala pucha tchê, emparelhei com aquele negocio do inferno. Me joguei no lado e segurando o Mata-Cinza cós dente, escalei aquilo num surto de raiva. Abriu uma portinha ali e um deles meteu o bedelho pra fora. Já enfiei o facão no meio do olho e ele caiu que nem saco de batata la pra dentro.

No que veio o outro, chutei-lhe a boca e entrei de sola naquela maquina dos diabo.

Era um troço maluco, com umas pata de ferro do lado de dentro. Tinha cinco ali quando eu entrei. A peleja começou e eu dei uma bolacha num deles, me joguei de corpo no outro e pulei pro lado pra evita um raio, que foi certeiro na cabeça do primeiro, fazendo ele cair todo morto no chão.

Eles se xingaram e eu aproveitei pra faconar o zóio de mais um. Faltavam três.

Um pegou uma lança e tentou me furar, mas eu fui mais rápido e defendi o golpe já pulando pro lado ganhando terreno. Dei co Mata-Cinza na goela dele, logo na fronte d’outro e no olho do terceiro. Só esse ultimo caiu e é claro que meu azar não ia me abandonar justo agora: O facão trancou no olho do desgramado. O segundo, fulo pela faconada, veio louco de raiva pra cima de mim. Tentei tirar minha arma da cara do outro, mas era tarde: o desgramado deu-lhe uma lançada no Mata-Cinza e meu nego veio foi pro beleléu. Me joguei no mocorongo dando de soco na cara dele, que só me fez doer a mão. Ele me chutou contra a parede e me cravou a lança no bucho. Senti a mordida funda do aço de Ispiuberg e arregalei os olho. Senti que minha hora tava chegando. Lembrei da Filomena, do Guilherminho e do Jacu. Lembrei por que eu tava ali. Lembrei que eu não podia morrer ate matar cada um dos filho duma puta! Dali pra frente foi sangue no olho! Agarrei a lança dele e empurrei pra fora da minha barriga feito um louco. O Ispiuberg se assustou e eu já catei a lança do outro e atirei na cara dele. Nisso, sobrou um. Me olhou com um sorriso, soltou aquela fumacinha da garganta e falou com aquela voz desgraçada deles:

-Parece que você vale mesmo a pena matar pessoalmente. Eu sou líder dessa unidade e você já esta morto. Pegue esta arma e morra de pé, ao menos.

Nisso ele me jogou aqueles facão de Ispiuberg que eu falei no Capitulo 1, se não lembra, volta e lê de novo que tenho mais o que contar. Eu, loco de raiva, catei o negocio no ar e gritei:

-Bota contra, filho da puta!- E a peleja começou.

Foi briga da brava, eu rolei pra todo lado, esquivei de dois facão ao mesmo tempo (eu mal segurava um e ele usava dois como se não pesassem nada!), mas por fim, enfiei o troço no meio da testa dele, e pra minha surpresa, o negocio entrou!

Foi estranho, no momento que ele caiu, eu fiquei dormente e cai de joelhos. Senti um frio danado e capotei.

Me acordei umas varias horas depois, com o Frederico, um guri que era mais entendido dessas coisa de computador e internet, sentado do meu lado com uma cara de espanto.

-Tu ta vivo, Miguel! Deu certo! Eu consegui acessar os computadores deles!

Quando me mexi pra tentar pedir pro bagualzinho se acalmar, pensei na hora “Opa! Perai caceta!”  E vi que eu tinha uma coisa estranha no meu braço esquerdo, que na verdade, era meu braço esquerdo! Só que era grande, de ferro cinza e soltava fumaça. Olhei pra minha barriga e tinha um monte de fio de ferro e parafuso nela, bem aonde eu tinha tomado a lançada.

-Mas que merda é essa, Frederico?

Buenas, ele me explicou que aquele negocio que a gente tava tinha um tradutor pra os Ispiuberg poderem falar com a gente, e que ele tinha conseguido entender a língua deles com isso. Daí pra ele entender a língua deles e usar os computador (que eu sempre falei que eram coisa de outro mundo!) foi um passo, e ele usou a tal da unidade de suporte vital (seja La o que isso signifique) pra me fazer uns remendos.

-Explicação boa ia, mas não entendi como eu to com essa coisa no braço… ou como to vivo, mas já é lucro…

-Calma Miguel, é o que eu to falando! Isso que eu fiz foi um teste. Eles tem um sistema de medicina bionica em todas as nave, e provavelmente foram alterados por essa tecnologia estranha. Por isso eles…

-E por que meu braço parece uma chaleira, soltando fumaça o tempo todo?

-Meu deus homem! Será que posso explicar sem tu me interromper, seu velho grosso?!

-Ta Pelotense, fale…

-Enfim… eles devem usar um mineral similar especial a carvão pra sustentar essa tecnologia a vapor. Todos os objetos deles parecem serem movidos a pistões, com caldeiras para essa coisa estranha. Por isso sua prótese mecânica solta fumaça, ela tem uma mini caldeira com esse material que queima e…

-Ta, cansei de tanta conversa. Cadê o resto da cambada?

-Velho dos infernos… tão dormindo lá no canto. – Ele me apontou pro resto dos peão e pras chinoca, que tavam puxando um ronco alto no canto daquele negocio enorme. Olhei pra cara dele e falei:

-Buenas, esse meu braço é quente pra dedéu, não é?

-Sim, mas só dentro. – e me mostrou aonde abria pra botar mais carvão – Por que?

-Me passa o mate, piá.

-Ok Miguel… você é totalmente louco…

Disse o piá que me usou de teste pra essa tecnologia Ispiuberg…

Capítulo 1

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Capítulo 3

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Capítulo 4

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